Rosalyn Sussman Yalow
Prémio Nobel da Medicina de 1977 recebeu uma bolsa Fulbright para Portugal em 1979
Corria o ano de 1979. Era grande o entusiasmo à volta da visita da Professora Rosalyn Yalow a Portugal, no âmbito da sua participação no Encontro Internacional de Gastroenterologia, que iria decorrer em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, entre 18 e 22 de Junho.
A Professora Rosalyn Yalow foi, efectivamente, um exemplo para todos; sobretudo para as mulheres, considerando as visões de inferioridade da mulher que predominavam na época. Senão, vejamos:
Rosalyn Sussman nasceu em Nova Iorque (cidade onde passaria grande parte da sua vida e viria a morrer) a 19 de Julho de 1921. Era filha de Clara Zipper e Simon Sussman (respectivamente, emigrante e descendente de emigrantes), sendo que nenhum deles havia frequentado o ensino secundário. Ainda assim, e apesar de não ter livros em casa, Rosalyn demonstrou desde cedo um forte interesse pela leitura, com a ajuda das visitas semanais que fazia, juntamente com o seu irmão mais velho, Alexander, à biblioteca pública local.
Não obstante o seu gosto pela leitura, a sua verdadeira paixão encontrava-se nas Ciências Exactas. No sétimo ano sentia uma inclinação pela Matemática; durante o ensino secundário preferia a Química; por fim, a sua ida para o Hunter College despertou o interesse pela Física, não só porque esta era uma área considerada particularmente excitante, mas também por inspiração no trabalho de Marie Curie.
A família de Rosalyn não partilhava deste seu interesse pela Física. Como refere na sua autobiografia, “My family, being more practical, thought the most desirable position for me would be as an elementary school teacher. Furthermore, it seemed most unlikely that good graduate schools would accept and offer financial support for a woman in physics”. Felizmente, os seus professores encorajaram-na e Rosalyn decidiu seguir em frente.
Em Janeiro de 1941, Rosalyn recebeu uma proposta de ensino de Física na Universidade de Illinois, proposta essa que foi recebida com imensa satisfação. Essa satisfação teria sido, certamente, ainda maior se soubesse que iria conhecer aí o homem que em 1943 viria a tornar-se seu marido – Aaron Yalow – e com quem viria a ter dois filhos (Benjamin e Elanna).
Chegado o mês de Setembro e a ida para esta universidade, Rosalyn descobriu que era a única professora, a primeira desde 1917, e percebeu que a oportunidade que teve ficou a dever-se ao facto de os jovens adultos terem sido chamados para as Forças Armadas, ainda antes da entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial.
O primeiro ano na Universidade de Illinois não foi fácil por duas razões: Rosalyn nunca tinha tido aulas com rapazes e sentia que não tinha recebido formação suficiente na área da Física no Hunter College. Assim, para além de ser teaching assistant para o primeiro ano do curso em Física, inscreveu-se em três graduate courses e assistiu a dois undergraduate courses. Estas várias actividades não a impediram de ser bem-sucedida, embora tenha tido, novamente, de enfrentar visões conservadoras. Como refere Rosalyn, “It was a busy time. I was delighted to receive a straight A in two of the courses, an A in the lecture half of the course in Optics and an A- in its laboratory. The Chairman of the Physics Department, looking at this record, could only say ‘That A- confirms that women do not do well at laboratory work’. But I was no longer a stubborn, determined child, but rather a stubborn, determined graduate student. The hard work and subtle discrimination were of no moment”.
Em Janeiro de 1945, ainda na Universidade do Illinois, Rosalyn completou um Ph.D em Física Nuclear. Cinco anos mais tarde desistiu do ensino e passou a integrar o Bronx Veterans Administration Hospital como consultora. Iniciou uma parceria de investigação com Solomon A. Berson, parceria essa que durou até à morte deste (a 11 de Abril de 1972) e que em muito contribuiu para a obtenção do seu Prémio Nobel, segundo aquilo que podemos depreender das palavras da Professora: “Unfortunately, he did not survive to share the Nobel Prize with me as he would have had he lived”.
Em 1977 a Profesora foi agraciada (juntamente com Roger Guillemin e Andrew Schally) com o Prémio Nobel da Medicina, pelo desenvolvimento de uma técnica de análise biológica chamada radioimunoensaio (RIE), importante, nomeadamente, para a determinação dos níveis de insulina no corpo.
Compreende-se, assim, a importância da presença da Professora Rosalyn Yalow em Lisboa no ano de 1979 e a atenção que recebeu por parte dos media, tendo sido objecto de notícia em publicações como O Dia e Diário de Notícias.
A vinda da Professora Rosalyn Yalow a Portugal foi inteiramente financiada pela Comissão Fulbright-Comissão Cultural Luso-Americana e constitui um motivo de orgulho para esta entidade, tendo em conta não só o prestígio associado à atribuição de um Prémio Nobel, mas também a relevância do trabalho desenvolvido pela Professora.
Todas as citações da Professora Rosalyn Yalow foram retiradas de http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1977/yalow-bio.html (data de consulta: 9 de Outubro de 2014).